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Naquele dia Invernoso, fui nomeado para integrar uma equipa de treino e avaliação da flotilha, no âmbito da Cooperação Técnico Militar, que tinha por missão deslocar-se à Republica de Cabo Verde.
Iriamos a São Vicente – Mindelo, complementar a formação de militares da Marinha, pertencentes à guarnição do Navio Patrulha “Guardião”, que no final, após formação, treino, deveria ficar a saber como atuar numa situação de acidente nas várias áreas e especialidades existentes a bordo, e assim cumprir com sucesso os objetivos das missões que lhe serão atribuídas.

Alguns anos depois, era o regresso aquela ilha de um arquipélago, no meio do oceano atlântico, que conhecera em anterior missão, cheia de gente boa, de uma beleza exótica, hábitos e costumes muito próprios de um povo resultante da mescla das muitas raças que ali aportaram.

Partimos de Lisboa, no dia 29JAN2012, com destino a Cabo Verde, Praia - ilha de Santiago, pelas 22:30PM e tendo chegado á cidade da PRAIA pela 02h da manhã, onde fomos recebidos por 3 oficias um de cada ramos das forças armadas, que nos apoiaram, não evitando, ainda assim, uma “seca”, sentados à mesa de um café, “meio acordados meio a dormir" até embarcarmos em novo avião às 06:00PM para a cidade do Mindelo - São Vicente.

No Mindelo, fomos recebidos pelo Comandante da unidade que nos encaminhou para os nossos alojamentos, onde depositamos as nossas malas e sem qualquer interregno fomos conduzidos para o navio “Guardião” da guarda costeira de Cabo Verde, para apresentação e aclaração dos objetivos da missão.

A Marinha da República de Cabo Verde, é pequena, contando com apenas 5 navios, dos quais o “Guardião”, cuja aquisição aos Holandeses, é recente. A bordo fomos acolhidos pelo comandante e a respetiva guarnição. Acolhedores, hospedeiros e motivados, permitiram que tivesse sido uma experiência enriquecedora e gratificante o transmitir conhecimentos e procedimentos na área de saúde, urgência e emergência. No caso a experiência tornou-se duplamente gratificante, pois os socorristas eram o cozinheiro e o seu adjunto, pois para alem da sua vontade e disponibilidade para aprender, retribuíram também com as iguarias que confecionavam.

A missão teve duas etapas, com a duração de uma semana cada. A primeira semana foi em terra e a segunda a navegar. Iniciou-se com uma avaliação administrativa, em que se avaliou a gestão do serviço de saúde: as fichas clinicas da guarnição e registos pertinentes, o consumo e reposição de medicamentos, o levantamento de necessidades materiais, humanos e formação.

Na segunda fase desenvolveram-se exercícios que promoveram a aplicação prática dos conhecimentos em simulação com cenários e feridos passíveis de ocorrer durante as navegações testando a capacidade de reação e resposta da equipa de socorrismo.

Eram dias de grande atividade que depois era necessário transcrever para relatórios que fundamentavam a tarefas do dia seguinte.

Eram dias galopantes o que não impediu à boa maneira naval do convívio gastronómico que permitiu o contacto culinário e o degustar das iguarias deste povo.

Foi uma missão gratificante para mim como Enfermeiro na medida em que pude de uma forma autónoma transmitir os meus conhecimentos e ajudar na constituição de uma Equipa de Saúde na Marinha de Cabo Verde.

O Comandante da Guarda Costeira elogiou, no final, todo o trabalho executado e às 17:30h embarcamos no Mindelo aterrando em Lisboa às 21:00 onde familiares nos aguardavam, apos um voo dificultado pela força dos ventos.

 

Luis Rodrigues
Enfermeiro da Marinha de Guerra Portuguesa

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