Vivemos um momento muito especial na nossa história enquanto sociedade. Há muito tempo que o mundo não era confrontado com um desafio de saúde da magnitude desta pandemia de COVID-19. Os números que nos são apresentados diariamente não param de crescer, de nos surpreender e, porque não dizê-lo, de nos assustar. Trata-se de um vírus que necessita ainda de muito estudo para ser totalmente compreendido e da ajuda de todos os cidadãos para ser contido.

No nosso país foi decretado pela primeira vez desde o período pós-revolucionário um estado de emergência nacional, medida de exceção que acarreta na sua génese a suspensão de direitos de liberdade individual. Esta medida foi tomada com o intuito de ajudar a combater o surto de uma doença cujas consequências não podemos prever na totalidade nesta altura mas que, certamente, serão graves e deixarão marcas duradouras na nossa sociedade. Essas marcas serão visíveis ao nível da economia, da educação, da elementar forma como vemos a convivência entre nós, mas essas serão análises que teremos de fazer no rescaldo da crise. Neste momento, a prioridade é a saúde pública. 

No momento em que a sociedade se reorganiza para combater esta ameaça e no primeiro dia útil após o decreto do estado de emergência, dia em que os primeiros profissionais de saúde da Marinha na situação de Reserva se apresentaram no Hospital das Forças Armadas para serem reintegrados e ajudarem neste combate, a Associação Portuguesa de Enfermagem Militar não poderia deixar de mostrar o seu reconhecimento. Queremos expressar aqui o reconhecimento a todos os profissionais de saúde, civis e militares, que se encontram neste momento na linha da frente de prestação de cuidados aos doentes infetados com COVID-19 enquanto continuam a assegurar simultaneamente a assistência a todos os outros doentes que padecem de outras patologias, pois essas necessidades não desapareceram. Reconhecimento também a todos os profissionais cuja função obriga a que estejam na rua em constante exposição, em detrimento de em casa junto das suas famílias. Forças de segurança, militares, funcionários públicos e privados das mais diversas áreas, do comércio ao transporte, das telecomunicações à assistência social, aos serviços mais básicos e essenciais que possibilitam uma réstia de vida normal a quem está em isolamento social e quarentena. Sabemos os sacrifícios que fazem em altura de exceção como esta. Não é fácil... 

Sendo uma associação de Enfermagem, é de elementar justiça que ressalvemos o papel e a atuação dos nossos elementos. Aos enfermeiros civis, espinha dorsal do nosso sistema de saúde, que suportarão certamente o grosso do impacto desta crise de saúde pública, fica o nosso voto de apoio e agradecimento. Grandes necessidades requerem grandes profissionais e, nesse aspeto, sabemos que estamos garantidos. É certo que as dificuldades serão muitas, da falta de meios às infraestruturas obsoletas, da falta de pessoal à afluência expectável de vítimas. Fica o voto de força e o pedido que continuem a fazer durante este período o magnífico trabalho que já fazem habitualmente. Fica também o desejo, utópico talvez, que após este momento triste vos seja reconhecido o valor do trabalho feito, para que os enfermeiros se assumam definitivamente como imprescindíveis não só no sistema de saúde como na sociedade.

Aos enfermeiros militares fica aquela saudação especial. Os planos estão feitos e aguardam-se as ordens. Como sempre, sem alaridos, com a disponibilidade e a prontidão que nos caracterizam, estamos prontos para responder às necessidades servindo o País em mais um momento crítico. Um inimigo diferente, mas guerra é guerra.

Aos enfermeiros militares e civis, juntos, todos, um obrigado pelo vosso esforço!    

 

José Vilhena

Presidente da Direção