Aquela Chama!


Brinde APEM

 

Depois de na passada 6ª feira, termos realizado o primeiro convívio da história, entre Enfermeiros e Técnicos de diagnóstico e Terapêutica dos três Ramos das Forças Armadas e da GNR, que decorreu em ambiente muito salutar, impunha-se que finalmente eu escrevesse o que me “vai na alma”.


Felizmente estiveram presentes neste convívio, grandes amigos, grandes profissionais de saúde que constituem maioritáriamente “a velha guarda”, sem eles nada do que já alcançámos teria sido possível. Grande escola a nossa Escola do Serviço de Saúde Militar, que tão fortes valores nos transmitiu a todos; a união sempre fez a força e mais uma vez mostrámos a nossa, aquela que sempre cultivámos entre nós, com muita determinação.


Por outro lado, foi triste constatar a notada ausência dos camaradas mais novos, mais uma vez não aderiram a coisa nenhuma. Não sei qual terá sido o motivo e também tenho dúvidas sobre o seu conceito de união, força e interesses comuns. Na minha opinião, é preocupante o rumo do futuro da Enfermagem Militar, quando as pessoas se abstêm desta forma, ao serem chamadas a conviver e mostrar a sua força pela união. É a nossa identidade afirmativa que está em jogo, é aquilo que defendemos, são as nossas relações profissionais, as nossas competências, são os nossos valores, a chama que nos deve unir.


Desculpem-me mas já são muitas inquietações, que receio, sejam de difícil resposta. E, só mais uma questão:

Será que há algum Enfermeiro que não tivesse gostado de ver a nossa Licenciatura em Enfermagem, reconhecida?  
Eu sei que é complicada a vida hoje em dia, até porque as solicitações quotidianas são enormes e muitas vezes o dia deveria ter 48 horas, também me acontece sentir frequentemente esta necessidade.
É preciso ir ao ginásio, às compras, estar em casa, ajudar nas tarefas caseiras, ajudar no cuidar dos filhos, estar com a família, estar com os amigos, passear, estudar, ler, etc,etc, etc, até mesmo trabalhar, aliás como sempre foi necessário.


Não direi que os que não estiveram presentes no nosso convívio, não tinham muito que fazer nem que inventaram desculpas para justificarem a sua ausência, antes, poderiam ter feito um pequeno esforço solidário para estarmos juntos num importante momento da vida da nossa Associação e do nosso futuro comum. Até porque o mesmo foi planeado com cerca de um mês de antecedência e marcado para o dia 27 de Novembro, por indicação de muitos camaradas.


Acho que sou um sonhador incorrigível e quando ajudei a idealizar este nosso convívio, achei que poderíamos contar com a presença de todos, salvo os que estivessem a trabalhar ou os que estivessem ocupados por motivos de força maior; até porque logo, um camarada amigo me disse que a aderência iria ser fraca. Mas, mesmo assim não quiz acreditar e continuei a sonhar.Admito que me estou a expôr um pouco mais do que devia, mas quem me conhece, sabe que sou mesmo assim, quando acredito naquilo que defendo, não receio a exposição e transparência a que estamos obrigados.

bolo apem
A APEM, não mendiga a ninguém, palmadinhas nas costas, nem agradecimentos muito ou pouco sinceros, antes defende a Enfermagem militar (como sempre o fez) e cultiva a união entre todos os Enfermeiros, no sentido de juntos enfrentarmos o futuro da nossa nova carreira duma forma mais participativa tecnicamente  e “abraçando”  renovadas competências.

De uma forma muito sincera, quero confessar-vos a minha preocupação em relação ao futuro da Enfermagem Militar.
Onde está essa “chama”, que há-de permitir que nós os mais experientes passemos o testemunho aos mais novos  e fiquemos tranquilos ?
Onde está o interesse e a capacidade dos camaradas mais novos pela defesa da nossa profissão?


Quanto ao número de participantes no nosso jantar-convívio que realizámos no dia 27 de Novembro de 2015, no Hotel Real Palácio em Lisboa, ele é histórico tal como para nós esse dia, é já um dia que fica nos anais da nossa história comum, como histórico.

Finalmente, um bem-haja a quem nele participou, abrilhantando-o com a sua preciosa presença .

Foi muito gratificante e de salutar o convívio que juntos realizámos.   

José Bizarro
Presidente da APEM
Lisboa, 30 de Novembro de 2015

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